sábado, 7 de março de 2015

Literatura infantil e juvenil

Houve tempo em que, cá em casa se ansiava pela hora em que a mãe contava uma história… Agora é o tempo em que a mãe pede à minacamina que conte as suas histórias!
Nem sempre este pedido é acedido com facilidade. Muitas vezes tem mesmo de se negociar. Ler é bom, e ela já o consegue fazer, mas ainda exige um esforço grande e por isso é sempre melhor que seja o outro a faze-lo.
Então, vamos lá partilhar as nossas estratégias…

Por onde começar?
Podemos sempre pedir às crianças que comecem por ler os livros infantis, cujas histórias elas já conhecem por todas as vezes que ouviram a mãe ou a titi contar. É um bom ponto de partida na medida em que a familiaridade é facilitadora mas, nesse caso, não estarão a descobrir! Não estarão a fazer a sua primeira leitura, a sua interpretação e a criar a sua própria imagem da história que estão a ler. Há crianças que, mesmo antes de saberem ler, já gostam de simular a leitura indicando o texto com o dedinho enquanto a mãe lê, tentando associar a palavra escrita à falada, sobretudo quando ela aparece muito repetidamente, ou brincando a fazer de conta que contam histórias uns aos outros, aos bonecos ou aos amigos imaginários (uma delicia!). O francisquinho é muito assim. Estas brincadeiras, que surgem espontaneamente em crianças “mais leitoras”, sugerem um bom desenvolvimento do interesse pela leitura, e não só.
Entretanto podemos ir introduzindo outros infantis, que não pertençam às estantes cá de casa. Ir à biblioteca, fazer um cartão de leitor e requisitar um livro por um período de uma semana, é bastante pedagógico. As bibliotecas estão cada vez mais “dinâmicas”, oferecendo frequentemente sessões de leitura, atividades e ateliês especialmente pensados para as crianças e famílias. Para além de servir para aprenderem que para conhecer e explorar não é preciso “ter”, estas experiências servem também para aumentar o leque de livros a que podem ter acesso e a responsabilidade de cuidar deles e devolve-los com responsabilidade.
As livrarias também têm investido significativamente nos espaços infantis. Ir à livraria é, normalmente, uma verdadeira diversão. Afinal podemos ver os livros, contar as histórias uns aos outros e brincar…

Depois há que graduar…
Comecemos então pelos infantis, com pouco texto e muita ilustração, palavras-chave ou expressões fortes, com significado para as crianças e que surgem muito repetidamente, como é o caso de: “Alto lá!”, no “Cuquedo” ou “Um Grufalão é um Grufalão, não conheces, não?!”, no livro “O Grufalão”. Às tantas, já as sabem de cor, antecipam-se à nossa leitura, é muito engraçado!
Eu não nutro especial simpatia pelos livros baseados nas personagens de desenhos animados, gosto muito dos que a titi nos trás, com temas que suscitam brincadeiras, debates, conversas, aprendizagens criativas.



Mas adiante, não me vou entusiasmar porque isto dava uma tese!!!
Depois desses, quando a criança já conseguir fazer uma leitura mais fluente e demonstrar maior resistência/tolerância à exigência da leitura, podemos então introduzir os livros juvenis. A impressão que eu tenho é a de que há muito mais oferta de livros infantis do que de livros juvenis. Mas não sei se, efetivamente, esta impressão corresponde à realidade ou se é apenas por ainda não estar tão familiarizada com o mercado desta categoria. Ainda assim, há juvenil para “iniciados” e juvenil para “avançados” e, naturalmente, devemos começar pelos que, mesmo tendo temas para o interesse dos mais crescidos, continuam a ter muita ilustração (se divertida, tanto melhor), capítulos pequeninos e uma escrita caracterizada por vocabulário simples, frases curtas e ideias claras e objetivas.

Cá em casa começámos pelos divertidos
“As histórias de Henriqueta a melhor do Planeta”, de Martine Murray, Editorial Presença
Não estarei a exagerar se disser que a maior parte da história é contada pelas divertidíssimas ilustrações e pela forma como se articulam com o texto. Com um design tão dinâmico, não há forma das crianças se aborrecerem!” Henriqueta” é uma menina cheia de energia e criatividade, que adora dizer palavras caras, muitas vezes inventadas por si, e que, como quase todas as crianças, trata os amigos pelos seus “nome e sobrenome”. Bem que eu gostava de saber porquê!!! Os temas giram muito em torno do universo de uma criança, o real que corresponde ao seu contexto familiar e escolar, e o imaginário. E este último, neste caso, é verdadeiramente grande e divertido.





“O Diário de Lisa BUM – Agente secreta em ação”, de Emily Gale, Booksmile (editora)
À semelhança do anterior, este livro é também muito suportado pelas ilustrações criativas, dinâmicas e pouco convencionais. A personagem “Lisa BUM” é também muito divertida e imaginativa, mas o facto de se tratar de um diário faz com que se introduza o conceito de capítulo. Isto facilita o estabelecimento de uma meta de leitura mais objetiva, o que no caso de livros como o anterior poderá ser feito, mas de forma mais subjetiva e de acordo com a tolerância da criança. Ainda assim, se virmos que é muito difícil para a criança ler um capítulo por dia, podemos alternarmo-nos. Nós usamos muito esta estratégia. Quando a minacamina está cansada, nós (adultos) intercalamos com a nossa leitura de uma ou duas páginas, e assim vamos avançando até ao final do capítulo. A nossa leitura, por norma, sabe-lhes melhor. A entoação dá-lhe uma dinâmica que eles, nesta fase, ainda não conseguem criar, mas que apreciam bastante. Este “intervalo”, esta “música” (chama-se prosódia), este “empurrãozinho na história”, para além de lhes dar um pequeno descanso, volta a espevitar a curiosidade e o interesse pela história, dando um incentivo para continuar, pelo menos até ao fim do capítulo. E depois? Amanhã há mais!



 "O menino Nicolau”, Sempé e Goscinni, da Teorema (editora)
Uma coleção de histórias, qual delas a mais divertida! O menino Nicolau é uma criança caprichosa, perita em deixar os outros em apuros, sobretudo o seu pai. Lembro-me de ter lido estes pequenos livros quando era pequenina e das minhas gargalhadas serem de tal modo contagiantes, que toda a família acabou por querer lê-los, desde o meu pai, à minha avó! Agora, para além de serem um bom incentivo à leitura para a minacamina, estes livros são também uma forma de nós (adultos) nos recordarmos do quão nos divertimos a lê-los no passado.

“Minnie & Friends” ou outros do género, desde que atuais (por causa do PT do Brasil)
A banda desenhada, apesar de nunca ter sido o meu estilo favorito, continua a cativar bastante as crianças. As histórias contadas em quadradinhos lêem-se rapidamente e, normalmente têm enredos divertidos. Como já disse, pessoalmente não sou grande apreciadora dos livros baseados em figuras de desenhos animados, mas tenho de admitir que poderá haver situações em que isso funcione como um incentivo para a leitura da criança. Se assim for, vale tudo! 

Variar para não enjoar
A seleção do livro e as estratégias a adotar neste processo de integração do hábito de leitura deverão depender sempre da criança ou da fase em que se encontra. Não há receitas! Pode haver situações em que a criança está tão entusiasmada que não descansa enquanto não chegar ao fim da história, outras em que gostou tanto que quer ler outro livro da mesma coleção ou personagem, ou outras, em que esteja a ler um livro um pouco mais “denso” e por isso, talvez possa ser positivo ir alternando com outro ou outros livros. Seja como for é sempre bom que eles estejam ali, à mão de semear, acessíveis e sempre prontos a relembrar que ler é bom, inspira-nos para sonhar!
  


 Com tudo isto, resta-me lembrar, que eu não sou escritora, pedagoga nem pediatra. Sou mãe de duas crianças e terapeuta ocupacional pediátrica. Estou treinada a analisar as atividades de forma a favorecer o desempenho, o envolvimento e a participação das crianças nelas. As ideias que aqui partilho resultam da minha vivência que, nesta área em particular, tem sido significativamente enriquecida pela “titi” dos meninos e seus gostos, interesses e conhecimentos de literatura infantil e juvenil. Temos descoberto e aprendido tanto com todos estes livros, que cada vez gostamos mais deles. Não consigo evitar a partilha deste prazer com as crianças e com todos os que me rodeiam!  


“A necessidade aguça o engenho”

É habitual as mães partilharem umas com as outras os acontecimentos relacionados com os seus filhos. No ano letivo passado isto acontecia ainda mais frequentemente porque, estando a minacamina e alguns dos filhos das minhas amigas no 1º ano de Ensino Básico, tudo era novidade. Com isto, eu fui-me apercebendo da rapidez com que algumas crianças “consomem” os seus lápis!!! Cheguei a ouvir relatos de crianças que a meio do primeiro período já não tinham lápis de cor, o que, devo confessar, me intrigava seriamente.
Curiosamente, a minacamina manteve a sua latinha de 24 lápis de cor até ao final do ano letivo. Mesmo, ressalvo, tratando-se de uma criança que investe muito nas atividades de pintura e expressão plástica.
Isto levou-me a pensar que uma das razões para esta poupança poderia ser o facto dos lápis se manterem na lata, alinhadinhos, onde os bicos não se partem tão facilmente como se estivessem numa bolsa ou num estojo.
Mas este ano a mãe não pôde comprar uma lata de lápis “Caran D’Ache” e os do ano passado já estavam muito gastos. Tentámos escolher uns bons lápis de cor, porque o investimento da minacamina nas suas atividades de expressão plástica o justifica verdadeiramente, mas estes vinham numa caixa de cartão. E então a mãe resolveu fazer um porta-lápis que, para além de preservar os lápis em bom estado tanto quanto possível, marcasse a diferença.
Bem, este foi o primeiro. No dia em que foi feito surgiu um convite para uma festa de aniversário de uma amiguinha da minacamina e lá foi ele, para oferecer. Mas depressa se fez outro, diferente, claro! É plastificado por fora, para que a sujidade que se acumula na mochila não o deixe feio e com mau aspeto, e por dentro, para que os bicos dos lápis não sujem e danifiquem o tecido. A minacamina adorou e com ele tem feito um sucesso na escola!

Aceitam-se encomendas…


domingo, 17 de agosto de 2014

Férias!

Museu da Electricidade - Lisboa
(Entrada gratuita, com workshops giros que ensinam a construir carros que se movem a energia solar e com várias exposições, entre as que se destaca a da obra de Vhils, intitulada "Dissecção", que é surpreendentemente genial!)
Parque da Serafina - Monsanto, Lisboa
(A entrada é gratuita, tem café/restaurante, wc, muita sombra, vários parques infantis adequados a várias faixas etárias e um circuito giríssimo para aprender as regras de trânsito com bicicleta, trotineta, triciclo ou patins.)

Évora
(Tanta sombra e tanto sossego. Um parque cheio de diversões, quase todo só para nós! Também tem cafetaria com esplanada, wc e acesso directo ao jardim do Palácio de D. Manuel, onde as crianças visitaram uma exposição de pintura e brincaram no Coreto, nas torres de vigia e a correr atrás dos patinhos.)

Jardim do Palácio D. Manuel - Évora

Jardim do Palácio D. Manuel - Évora

Parque Infantil - Évora

Lá vai bomba!!! 

"Mamã, porque estão todos de beicinho?"
Fluviário - Mora
(A entrada não é gratuita, mas podemos usufruir de 15% de desconto através dos cartões fnac e fnac kids.)

Praia da Fonte da Telha
(E de regresso, atravessámos o Tejo de barco... Lisboa é sempre linda, mas sobretudo à noite, iluminada e vista do rio!)
Museu dos Coches - Lisboa
(Aos primeiros domingos de cada mês, para além da entrada ser gratuita, este museu oferece-nos a oportunidade de realizar uma actividade familiar. Nós tentámos fazer uma espécie de pedi paper, mas não foi fácil... O pessoal miúdo não colaborou!!!)
Devia ter vergonha, mas tenho de admitir que já não me lembrava da última vez que tinha conseguido ler um livro nas férias!!! Fartei-me de "viajar" e de planear viagens com "O mundo é fácil" de Gonçalo Cadilhe. Recomendo!
Brincaaaaaaaaar... e muito!




sábado, 22 de março de 2014

As manhãs na biblioteca...

As nossas manhãs de sábado passaram a ter uma nova rotina.
Com a entrada no primeiro ciclo do ensino básico, a minacamina iniciou também a catequese. O início desta atividade foi um pouco conturbado... mas depois de nos organizarmos, lá conseguimos estabelecer que a manhã de sábado seria dedicada à catequese.
 
Entretanto, aproveitando esta saída semanal ao centro da vila, também passámos a frequentar assiduamente a biblioteca, tornamo-nos "leitores" e requisitamos livros que exploramos ao longo de uma ou duas semanas. Quinzenalmente, ocorrem workshops onde se contam histórias infantis e se desenvolvem atividades no âmbito das respetivas histórias.
 
 "Amor Monstro" foi a história que conhecemos no último workshop. A sala estava bastante composta, o que demonstra que há muita gente atenta às atividades desenvolvidas na nossa comunidade e, particularmente interessada em estimular hábitos de leitura nas crianças - o que é bastante positivo! Depois de ouvir a história, as crianças foram então convidadas a construir um pequenos monstrinho de papel que poderá servir de separador de livros, fantoche de dedos ou para qualquer outra coisa que as crianças queiram inventar...
 

E invenções é o que não falta aos inventores cá de casa!!!
 
 
 
 
 


domingo, 9 de fevereiro de 2014

"Um grufalão é um grufalão! Não conheces, não?"

Já tenho dado a entender por aqui, o enorme privilégio que é ter uma Titi livreira. Graças a isso, ao facto de trabalhar especificamente numa livraria infantil e à sua enorme sensibilidade e bom gosto, os meus filhos têm tido sempre a sorte de dispor de uma biblioteca maravilhosa! Desde muito pequeninos se habituaram a receber o livro como "o presente", e a explora-lo como brinquedo ou jogo.

Fonte
http://olivroinfantil.blogspot.pt
O Grufalão foi um dos primeiros livros de história da minacamina, um dos seus preferidos. Para o francisquinho então, foi e continua a ser um dos da sua eleição. Chegou a saber a história de cor... não estou a exagerar! Ele corrigia-me se a contasse com um animal fora da sequência correta ou se não a narrasse exactamente com a entoação a que estava habituado!!!
Mas ultimamente, e à medida que foram tendo contacto com livros novos, O Grufalão foi ficando na prateleira. De vez em quando, o francisquinho lá se lembrava dele, sobretudo quando ia à casa de banho, mas foi sendo cada vez mais raro.
Num destes dias, num passeio virtual pela internet, sou agradavelmente surpreendida por um verdadeiro universo de coisas d'O Grufalão! Fiquei impressionada com a quantidade de referências que existe a esta história. Eu sabia que tinha sido um livro premiado e comprovei, pelo sucesso que teve cá em casa, o seu potencial. Mas na verdade, nunca pensei que fosse possível fazer tanta coisa acerca da história deste Sr. Grufalão.  Isto, de facto, merece ser partilhado!
Para começar, existe um site original do "Grufalão". Neste site, escrito em inglês, é possível conhecer livros d'O Grufalão para todas as idades e finalidades, canções, jogos, actividades e até filmes e artigos de merchandiser.
Nesta correria que têm sido os nossos dias, tenho feito "das tripas coração" para conseguir fazer diariamente alguma coisa engraçada e prazerosa com os meninos. As horas a que temos chegado, deixam-nos cada vez menos tempo para grandes aventuras, mas pelo menos um jogo, uma história ou uma actividade, tenho feito questão de fazer. Depois dos banhos, trabalhos de casa, jantar e um bocadinho de treino da minacamina ao piano (uma novidade a partilhar detalhadamente num dia destes), também tem de haver um bocadinho para brincar! Neste site encontrei atividades ótimas para estas ocasiões. Simples, não demasiado longas, indicadas para o menino e para a menina e, o melhor, sobre a história d'O Grufalão! Foi só descarregar, imprimir e pôr mãos à obra.
Mas há muito mais, para além do que pode ser feito nestas circunstâncias, até convites e sugestões para decoração de bolos de aniversário. É todo um mundo para ser explorado!

Outro sítio onde surgem referências a'O Grufalão é o blog "O Livro Infantil", que aliás, merece ser seguido! Aqui, para além de descobrir que existe uma pós-Graduação em "Livro Infantil" na Universidade Católica, fiquei a saber que até na Broadway se pode ver um espetáculo d'O Grufalão!

Depois, há uma quantidade infindável de descrições de utilizações do livro, para atividades educacionais, sendo algumas delas muito interessantes e possivelmente inspiradoras para professores de ensino básico e educadores de infância.

Quem diria que "O Grufalão" daria tamanha inspiração?!
fonte: http://mercadoazul.wordpress.com/page/5/